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Lease ou beat exclusivo: qual a diferença e qual comprar

Capa do post Lease ou beat exclusivo: qual a diferença e qual comprar, do Blog do Nobre Beats

Lease e exclusivo parecem só duas etiquetas de preço na loja do produtor. Não são. Uma é aluguel, a outra é o beat sair da prateleira. E escolher errado custa caro justamente quando a música começa a dar certo.

Em 15 anos produzindo, trabalhando com artistas como Projota, Froid e Dalsin, eu vi as duas situações: artista que começou com lease e se deu bem, e artista que investiu tudo num lançamento em cima de um beat alugado e depois descobriu outra música com a mesma base. Vou explicar a diferença do jeito que eu explico no estúdio.

Lease: licença não exclusiva

No lease, você paga pra usar o beat dentro de regras, e o produtor continua livre pra vender o mesmo beat pra quantos artistas quiser. Você não compra o beat. Compra permissão.

Essas regras mudam de produtor pra produtor, mas quase sempre giram em torno de:

  • Teto de streams e vendas. Pacotes básicos em MP3 costumam ter limites baixos, na casa de poucos milhares a 10 mil streams. Pacotes maiores chegam a dezenas de milhares.
  • Arquivos. MP3 no pacote mais barato, WAV e pistas separadas nos mais caros.
  • Prazo. Muito lease tem validade e precisa ser renovado.
  • Crédito. O nome do produtor tem que aparecer do jeito que o contrato pede.

Existe ainda o lease ilimitado, que tira o teto de plays. Mesmo assim ele continua não exclusivo, e em geral não deixa você cadastrar a música no Content ID do YouTube, porque outros artistas usam a mesma base.

Exclusivo: o beat sai da loja

No exclusivo, o produtor para de vender aquele beat. A partir da sua compra, ninguém mais consegue licenciar a mesma base. Normalmente não tem teto de streams, vem WAV e pistas separadas, e você pode cadastrar a música no Content ID sem briga.

Aqui na minha loja eu trabalho só com exclusivo: comprou, o beat sai da loja na hora. Os beats exclusivos ficam entre R$ 189 e R$ 219, com alguns em promoção.

O detalhe que quase ninguém conta

Comprar o exclusivo de um beat que já foi alugado não apaga os leases antigos. A exclusividade vale dali pra frente. Quem comprou lease antes continua com a licença válida, e as músicas dessas pessoas continuam no ar com a mesma base que agora é "sua".

Por isso, antes de fechar um exclusivo em qualquer loja, pergunta ao produtor se aquele beat já foi vendido em lease e pra quantas pessoas. Se ele não souber responder, isso já é uma resposta.

Lease x exclusivo lado a lado

Lease Exclusivo
Outros artistas podem usar Sim Não, a partir da compra
Teto de streams Quase sempre Normalmente não
Arquivos MP3 ou WAV, conforme o pacote WAV, MP3 e pistas separadas
Prazo Pode vencer Em geral perpétuo
Content ID no YouTube Em geral não Pode
Preço Menor Maior

Exclusivo não é "100% seu"

Esse ponto confunde muita gente. A licença exclusiva garante que o beat é só seu pra lançar, mas o produtor continua sendo coautor da música. É comum ele ficar com uma parte dos direitos autorais, e isso tem que estar escrito.

No meu caso, está no contrato de licença exclusiva: 15% dos royalties da obra ficam com o produtor, e se a música for registrada numa associação de direitos, eu entro como coautor com essa participação. Qualquer produtor sério tem que te mostrar essa parte antes da compra, não depois.

Qual escolher

Lease faz sentido quando você está testando, gravando pra aprender ou soltando uma faixa sem investimento em divulgação. Paga pouco, aprende, e se a música andar você decide o próximo passo.

Exclusivo faz sentido quando a música é pra valer: vai pra distribuidora, vai ter capa, clipe, impulsionamento ou show. Aí você não quer teto de plays, não quer outra pessoa lançando a mesma base e quer contrato na mão se alguém questionar.

Uma regra simples que eu passo pros artistas: se você vai gastar dinheiro divulgando a música, gasta primeiro garantindo a base. Dá o play nos beats de trap, drill, boom bap e funk e escolhe o que combina com a sua letra.

Beats de Trap pra gravar

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