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O que é ISRC e como registrar sua música sendo independente

Capa do post O que é ISRC e como registrar sua música sendo independente, do Blog do Nobre Beats

Você terminou a música, subiu na distribuidora e apareceu um campo pedindo ISRC. Ou pior: a faixa já tocou em rádio comunitária, em festa, em loja do bairro, e nunca caiu um centavo de direito autoral na sua conta. Na maioria das vezes, o problema começa no mesmo lugar: a gravação não foi cadastrada direito.

ISRC parece burocracia de gravadora, mas é o que permite que alguém ache a sua música no sistema e te pague por ela. Neste guia eu explico o que é o código, a diferença entre ele e o registro da música, os três jeitos de conseguir o seu de graça e o passo a passo pra não deixar dinheiro parado no próximo lançamento.

O que é ISRC

ISRC é a sigla de International Standard Recording Code. Pela definição da Abramus, é um código único e definitivo que identifica cada gravação musical no mundo todo. Pensa como a placa de um carro: cada gravação ganha a sua, e ela acompanha a faixa em qualquer plataforma.

O código tem 12 caracteres, entre letras e números, divididos em quatro partes:

  • País (2 caracteres): no Brasil, BR, BX, BC ou BK.
  • Produtor fonográfico (3 caracteres): identifica quem gerou o código.
  • Ano (2 dígitos): os dois últimos números do ano em que o código foi gerado.
  • Sequência (5 dígitos): 00001 pra primeira gravação, 00002 pra segunda, e assim por diante.

Fica algo como BR-XXX-26-00001. Os hífens são só pra facilitar a leitura.

ISRC não é registro da música

Aqui mora a confusão que mais custa dinheiro. O ISRC identifica a gravação, o áudio que você lançou. O registro de obra identifica a composição, que é a letra e a melodia.

Uma mesma composição pode ter várias gravações, e cada gravação tem o seu próprio ISRC. Mas a obra continua tendo um registro só. Se você lançar a versão original, um remix e uma versão ao vivo da mesma música, são três gravações diferentes e três códigos diferentes. Nunca reaproveite o ISRC de uma faixa em outra.

A Pro-Música Brasil, que a IFPI indicou como agência do ISRC no país, separa bem as duas coisas. O código identifica a gravação. O cadastro do fonograma na associação, que usa o ISRC como um dos campos, é o que faz o dinheiro chegar. Ter o código sem fazer o cadastro não resolve.

Quem pode gerar o código

Só o produtor fonográfico gera ISRC. Segundo a Abramus, é a pessoa física ou jurídica que responde economicamente pela gravação. Autor e intérprete, sozinhos, não geram.

Parece que isso te exclui, mas não exclui. Se você pagou o estúdio, gravou em casa e lançou por conta própria, o produtor fonográfico é você. O artista independente pode se cadastrar nessa função e controlar os próprios lançamentos, sem precisar de gravadora.

Três jeitos de conseguir o ISRC de graça

1. Pela distribuidora

É o caminho mais comum pra quem está no primeiro lançamento. Em geral, a distribuidora gera o código sozinha na hora do envio. A DistroKid, por exemplo, informa na central de ajuda que atribui um ISRC grátis e automático pra cada faixa enviada.

O ponto de atenção: o código de distribuidora estrangeira não começa com BR. As associações brasileiras aceitam esse ISRC, desde que, no cadastro do fonograma, você indique qual agregadora gerou o código escolhendo numa lista do sistema.

2. Pela Abramus, como produtor fonográfico

Quem se filia à Abramus na categoria Produtor Fonográfico gera o ISRC de graça pelo portal da associação. O caminho é Cadastro de Repertório, depois Fonogramas. Você preenche título, intérpretes, músicos, compositores, ano, duração e gênero, pode subir o áudio em WAV, e o sistema gera o código.

3. Por outra associação gestora

A Abramus não é a única. Pela orientação da Pro-Música, os gestores de ISRC no Brasil são as associações Abramus, Amar, Assim, Sbacem, Sicam, Socinpro e UBC, além do Ecad. Se você já é filiado a alguma delas, pergunte lá como gerar os seus códigos.

Onde o cadastro vira dinheiro

O Ecad arrecada quando a sua gravação toca em público: rádio, TV, festa, loja, academia. Esse valor é dividido em duas partes, e aí está o motivo de cadastrar direito.

Pelo guia de distribuição da UBC, na execução de música gravada, 2/3 vão pra parte autoral (quem compôs) e 1/3 vai pra parte conexa (quem gravou). Dentro da parte conexa, intérpretes ficam com 41,7%, produtores fonográficos com 41,7% e músicos acompanhantes com 16,6%.

Repare no que isso significa pro artista independente: se você compôs, cantou e foi o produtor fonográfico da faixa, pode ter participação em quase todas essas fatias. Mas só recebe o que estiver cadastrado. Faixa sem cadastro não tem pra quem pagar.

Passo a passo pro seu próximo lançamento

  1. Defina quem é o produtor fonográfico. Se foi você que bancou a gravação, é você.
  2. Pegue o ISRC. Pela distribuidora ou pela sua associação. Um código por gravação.
  3. Filie-se a uma associação de gestão coletiva. Uma das que integram o Ecad.
  4. Cadastre a obra. Letra e melodia, com todos os compositores e a porcentagem de cada um.
  5. Cadastre o fonograma com o ISRC. Informe intérpretes e músicos. Se o código veio de agregadora, selecione qual foi.
  6. Guarde tudo numa planilha. Nome da faixa, ISRC, data de lançamento e quem participa de cada parte.

E o beat, entra nessa conta?

Entra, e é aqui que muito artista se complica. Se a sua música foi feita em cima de um beat comprado, o produtor do beat normalmente tem participação prevista no contrato, e o cadastro precisa bater com o que foi combinado.

No contrato de beat exclusivo do Nobre Beats isso está escrito: o crédito vai como "Prod. Nobre Beats" nas plataformas (cláusula 4.1), 15% dos royalties da obra ficam com o produtor (cláusula 4.2) e, se a música for registrada numa organização de direitos de execução, o produtor entra como coautor com 15% (cláusula 4.3). Leia antes de fechar, porque o cadastro certo desde o primeiro dia evita dor de cabeça depois.

Com o ISRC resolvido, sobra a parte boa: gravar. Se você ainda está procurando a base certa pra sua próxima faixa, dá uma olhada na loja, onde cada beat mostra tom e BPM, ou peça um beat por encomenda feito pra sua letra.

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